2.24.2005

Sem mais palavras

No diário esse que editam em Madri polo que perdem o cú os escritores e escritoras galegas por publicar umha vez à semana, ou ao mês ainda que seja (e em espanhol, por suposto), ou por aparecer resenhado na sua separta de cultura babélica insuportável, aparecia um anúncio na terça-feira 22 de Fevereiro, assinado por umha autodenominada Plataforma Cívica por Europa, no que diziam "reconhecer o espírito europeista" das pessoas que fôram votar no referendo do dia 20. Com a boca pequena, claro, deixam entrever que a quem mais agradecem é as pessoas que fôram votar SIM, pois as que votam NOM tenhem menos espírito...

Mas o melhor é ler, depois disso, escrito em letras bem grandes, outro agradecimento, em letras mais pequenas, à essas grandes entidades benéficas e sem ánimo de lucro chamadas BSCH, Telefónica, Iberdrola, Union Fenosa, Iberia, NH, AUNA e FIAT, por ter "feito possível" a campanha da citada Plataforma. Em roman paladino, isso significa por ter "posto a pasta" para pagar a campanha.

Claro, já se imaginarám que umha campanha sufragada por esse clube selecto de hermanas de la caridad (ou seriam hermanas mercenarias?), foi umha campanha pensando no interese da humanidade, no bem comum e na prosperidade colectiva...

Sem mais palavras.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

2.17.2005

Igual que vemos a nada

"O sábio é aquel que, sabendo discernir as cousas que dependem dele das que nom dependem, organiza a sua vontade ao redor das primeiras, e atura de xeito impassível as segundas". Alain Badiou. (A Ética)

Pugemos entre parénteses
o mundo cheio de ruidos
e a nossa respiraçom
para nom ter que ver-nos
no espelho
na vida
igual que vemos a nada
quando nos rodeia
ou nos desborda

E por isso agora estamos assim
desfazendo-nos entre silêncios
e versos
mentres siguem caindo palavras
palavras e mais palavras
asulagando-nos os olhos

Corta-nos a respiraçom
dizendo o nosso nome
e logo deixa-nos

Gardamos silêncio
para nom ter que escolher
Ou tal vez para aprende a falar




Outro dia falaremos do tema da normativa

2.15.2005

Ilegalizada etc.

Quem siga as notícias dos telediários e a imprensa do sistema, terá observado que nas últimas semanas, possivelmente, já meses, umha nova organizaçom política tem aparecido diariamente nos mesmos. Trata-se da "ilegalizada Batasuna". Parece ser, que este é o nome da organizaçom que tem relevado a Batasuna no espaço político da esquerda abertzale basca, se fazemos caso da imprensa "séria", e, por suposto, "democrática" e "constitucional".
De nom ser porque a questom é bem séria, eu penso que Batasuna deveria pensar em apresentar-se aos comícios em Euskadi, agora que o lehendakari os convocou, baixo essa denominaçom de "ilegalizada Batasuna", porque desde logo já está reconhecida como tal.
Há um dito que expresa aquilo de "di-me de que presume e direi-che de que careces". É evidente que quando o Estado espanhol precisa presumir tanto de ter ilegalizado a Batasuna, fazendo já umha nova marca com o de "ilegalizada Batasuna", é porque sabe que essa decissom carece de muita utilidade práctica. Primeiro, faziam actos como "esquerda abertzale", mas agora levam tempo fazendo-os abertamente como Batasuna, ainda que o Estado espanhol prefira seguir a falar da "ilegalizada etc.".
Qualquer dia, descobriremos que os ilegalizados dirigentes da ilegalizada Batasuna celebrarom umha ilegal reuniom nas sua ilegalizadas sedes... Se é que nom tem ocorrido já e nom nos informou o telediário.
Por agora, alegramo-nos de que Batasuna, ilegalizada polo Estado espanhol ou nom, tenha recuperado um sítio web: www.orain.info. Desde aqui, queremos recomendar a sua visita, que nom sabemos se é ilegal ou nom.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

2.14.2005

Desculpem as moléstias

"¡Ay, lengua sin ventura! ¿Porqué querdes dezir,
porqué quieres fablar, porqé quieres departir(...)?"
Juan Ruiz, Arcipreste de Hita. Libro del Buen Amor. 789 (a,b)

Um aneurisma renal sofrido por um dos membros do Núcleo Duro (também chamado Comité Central) de Ehus Mahot, provocou que nas últimas semanas nom puderamos atender as nossas obrigas para com este blog. Mas hoje, fazendo um esforço e sobrepondo-nos à nossa dor, e tendo conhecimento da notícia aparecida no Portal Galego da Língua falando sobre umha epidemia de blogues galegos, incluindo-nos a nós, consideramos que é a nossa obriga retomar a actualizaçom deste blogue. Queremos agradecer a GueRRilheiRa ter-se lembrado de nós, sobre todo porque pensavamos que pouca gente, ainda, nos conhecia. Muito obrigados.
E por hoje, nom poderemos escrever nada mais. Prometemos nom demorar na nossa próxima publicaçom. E um saudo para todos os blogues galegos!

Para a GueRRilheiRa, este pequeno poema, que escrevemos em 1996, e datado, concretamente, o 23 de Janeiro de 1996. Já choveu...!

Di-nos que podemos seguir na procura
em cada ideia um novo dia
em cada beijo o sonho imortal
e construiremos para ti o ceu
mentres nos deixamos cair
entre desejos e ausências


Saude e Pátria!

"En la más completa libertad aparente, sin tener que rendir cuentas a nadie, abandonar la partida, salir de la encrucijada y meterse por cualquiera de los caminos de la circunstancia, proclamándolo el necesario o el único".
Julio Cortaza. Rayuela (48).


Outro dia falaremos do tema da normativa.