1.15.2005

Qualquer tempo passado foi anterior...

Deixamos umhas palavras onte à tarde para ti. Nom eram nada. Só umhas palavras mas já sabemos que nom as viche.
Pouca cousa diziam, porque pouco temos para dizer e porque nom temos muitas palavras depois tanto tempo.
Pareceu-nos que eram bonitas, ou úteis, ou interesantes, ou curiosas, ou qualquer cousa... Mas nom nos fagas muito caso. Sofremos fortes alucinaçons e desvarios desde que falamos coa lua.
E nada mais. Só chamavamos para dizer que deixamos umhas palavras onte à tarde para ti, e que nom lhes fagas muito caso, porque já nom sabemos o que andamos a dizer.

"É este o defeito das palavras. Assentamos que não há outro meio de nos entendermos e explicarmos, e acabamos por descobrir que ficamos a meio da explicação, e tão longe do entendimento que bem melhor teria sido deixar aos olhos e ao gesto o seu peso de silêncio. Tal vez mesmo o gesto seja de mais. No fim de contas, ele não é outra coisa que o desenho de uma palavra. o caminhar de uma frase no espaço. Restam-nos os olhos e o seu acceso privilegiado às aparições". José Saramago. Deste Mundo e do Outro. (A aparição).

Outro dia falaremos do tema da normativa.