1.16.2005

Distáncias

"Estamos longe de muitas cousas, mas de nada estamos mais longe que de nós próprios". Júlio Cortazar (Nicaragua tan violentamente dulce: aqui la dignidad y la belleza)

"A centos de quilómetros de nós próprios vémo-nos no espelho eterno da palavra debulhando versos estranos sobre a memória da melancolia."

Escrevemo-lo um 29 de Janeiro de 1996. Justo enriba disso, havia umha nota que dizia: "Deixará de chover e alguem sairá à rua para berrar bem forte que já choverá".
O tempo passa tam rápido, tam lento. Onte mesmo era 15 de Janeiro de 1996, estavamos em Compostela, seguro que a estas horas em algum bar, falando, tomando umhas cervejas... E agora, aqui estamos. Deixou de chover, e estamos a aguardar por alguem que venha dizer-nos que já choverá mais adiante.

E agora, que fica? Umhas quantas palavras ditas e repetidas até o aborrecimento; as imagens esquecidas de quando eramos novos; duas ou três esperanças que já sabemos inertes. Segui girando o mundo sem parar, girando, girando e girando, girando sem parar sem parar de girar, e passo a passo fumos esquecendo todo. Umha vez que também nos esquecimos de nós, a nós, cá estamos. Ainda fica por dizer qualquer cousa? E, no caso de que seja assim, para que serviria? Alguem a vai escuitar? Já estamos sós. Dizer outra cousa seria enganar-se.
Nom nos abandones, mas nom nos tenhas lástima.

"Quantas palavras, quantas nomenclaturas para um mesmo desconcerto. Às vezes convenzo-me de que a estupidez se chama triángulo, de que oito por oito é a loucura ou um cam". Julio Cortázar (Rayuela. Capítulo 2).

Outro dia falaremos do tema da normativa.