1.18.2005

Burguerking, burguerquin: comida ou política basura?

Caminhando, navegando, buceando ou naufragando pola rede, atopamos dua páginas que practicamente tenhem o mesmo nome, mas que falam basicamente do mesmo.... Quer dizer: nom sabemos se umha fala da política dumha empresa de comida basura, ou se a outra fala da basura de política que pretendem que comamos, ou se nos figemos a picha um lio e levamos tantas horas diante da computadora que já nom distinguimos a mentira da ficçom.

Outro dia falaremos do tema da normativa.
(ainda que para isso já esta o Jaureguizar e a sua máquina de fazer amigos)

Rendíçons

"...as palavras que falseam as intuiçons, as petrificaçons simplificantes, os cansaços em que de vagar se vai tirando do peto do chaleque a bandeira da rendiçom". Júlio Cortázar (Rayuela. Capítulo 48).

Às vezes lemos os nossos correios electrónicos, ou as capas dos diários, ou um artigo em qualquer revista das autodenominadas sérias, ou escuitamos umha cançom na rádio, ou simplesmete miramos pola janela e vemos chover,... às vezes, quando isso passa, sabemos que estamos cada vez mais e mais perto da rendiçom, da derrota, do final. Porque sabemos que é inevitável a derrota. Que perderemos em algum momento definitivamente nom só umha batalha, mas a guerra.

Sentimos, humedamente sentimos, que nós também nom imos ser a geraçom que nos liberte. Choramos. E aguardamos a que passe o dia, porque sabemos que manham ainda teremos um cento de razons para seguir em pé.

"... porque ninguém negará que o problema da realidade tem que plantejar-se em termos colectivos, nom na mera salvaçom de alguns eleitos". Júlio Cortázar (Rayuela. Capítulo 99).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.17.2005

Citas que pagam a pena

"Me cago en las bisagras del sagrario y en los clavos de Cristo y en sus llagas y en sus espinas y me cago en la inmaculada madre que lo parió". Eduardo Galeano (Bocas del tiempo).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Emigrar por recomendaçom da Xunta

La Coz, que Paliza, edita todos os Domingos um caderninho em páginas naranjas sobre Negócios, no que aproveita para publicar várias páginas de ofertas de trabalho. As pessoas que trabalhamos em precário ou que, directamente, trabalhamos no desemprego, conhecemos bem estes caderninhos, pois passamos os meiodias dos domingos (tomando uns vinhos no bar antes de comer), e as tardes, e até as manháns das segundas-feiras lendo neles, e na procura do anúncio encantado que nos libertará da nossa desdita malfadada.
Pois bem, a questom é que nesse caderninho da Coz, aparece, na sua segunda página de ofertas de trabalho, um grande anúncio da Xunta de Galiza, baixo o rótulo de Bolsa de Emprego. Se o ides ver, o da ediçom de onte, Domingo 16 de Janeiro de 2005, todas, TODAS, absolutamente todas as ofertas de trabalho que aparecem som para o estrangeiro. Quer dizer: para emigrar.
A Xunta já o tem tam asumido que até paga (a saber quanto custa esse anúncio) para que a mocidade galega (e aqueles/as que já nom som tam novas/os) emigre, ou quando menos contemple como umha opçom real -e ademais recomendada pola Administraçom- a emigraçom. As ofertas de trabalho vam desde postos para a hotelaria em Ibiza, Malhorca, as Canárias, etc... até postos no Disneyland de París, ajudantes de hotel a Inglaterra, técnicos de educaçom infantil em Dublim, enfermeiras no Reino Unido, recepcionistas de hotel em Itália, camareiros/as em Inglaterra e matronas na Suiça.
O anúncio leva o logo do Serviço Galego de Colocaçom e da Xunta de Galiza. E aportam o telefone 902 125 000 para que podamos chamar e nos dem informaçom. Chamar haveria que chamar, mas para cagar-se na família de uns quantos.
Logo, por se isto for pouco, sairám numha conferência de imprensa, dessas das que gostam os jornalistas porque som polas manháns e convidam (com o dinheiro público) a café com leite, croasáns e zumos, dizendo que na Galiza já nom existe emigraçom.

E, mentres tanto, a opossiçom oficial, séria, conseqüente e democrática, gozando das suas dietas, os seus salários e os seus gastos pagos. Pergunta de milhom: quantos filhos ou filhas de deputados do parlamentinho terám emigrado nos últimos dez anos?

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Funcionar ao revés

Di Manuel Fraga, que é que os gais estám orgulhosos de funcionar ao revés e que isso nom pode ser. Nom imos comentar as palavras, que se comentam soas.
Só queremos chamar a atençom sobre isso de "funcionar ao revés": ocorreria-se-lhe a ele, ou algem lhe daria essa ideia? É tam... sugestivo?...

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Titulares e Notícias

Se tedes memória (mesmo que nom seja histórica), lembraredes a que se montou há já umhas quantas semanas por umha suposta ameaça de bomba no estádio de futebol Santiago Bernabeu, em Madrid, quando estavam a jogar um partido as equipas do Real Madrid e a Real Sociedad (se nom estamos errados, mas em todo caso era umha equipa basca). A suposta ameaça de bomba, parece ser que fora realizada por umha pessoa que anunciava falar em nome da ETA.
Notícias em todas as televisons, em todos os telediários, nas rádios, nos periódicos ao dia seguinte, comentários de todo tipo, reacçons, denúncias, condeas, etc... etc... etc... até o aborrecimento. Vários dias coleu o asunto nos meios.
Pois resulta que onte, por meio dum comunicado feito público no diário Gara, para além de tratar outros asuntos, e reivindicar várias acçons armadas, a banda armada negava ser autora dessa amenaça de bomba, e alertava, precissamente contra as amenaças falsas. Mas, nesta ocassom, em vez dos grandes titulares, dos telediários, dos comentários, das reaccçons e dos etc... e etc.... até o aborrecimento, o asunto ou bem nom é recolhido nos meios ou é recolhido dumha maneira completamente marginal, na procura de que ninguem poda saber que a ETA nega ser autora daquela chamada de telofone. E assim por exemplo, no País, o diário dependente de quem todos sabemos, só merece quatro linhas escasas na página 15, ao final de todo dumha coluna, no limite inferior direita da página.
Mais um exemplo de informaçom plural e veraz.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.16.2005

Plágio

Plagiamos cá (se se nos permite a expressom), umha parte do intercámbio de pareceres que há na máquina de fazer amigos do Jaureguizar, sobre bet-sellers, éxitos de vendas e demais na literatura galega.

De todas formas, recomendamos vivamente aceder ao bló original, porque as cópias sempre dam problemas.


CARA VIGO SQUARE
Eu nunca che fun moi mitómano, pero un non se atopa a cotío con Camilo Gonsar na estación de autobuses de Lugo DF. O caso é que o vin cunha gabardina azul camisoladocelta e o seu pelo branco e as súa gafas de pasta de farmacéutico. E presenteime (...).Medra o meu convencemento de que a literatura é un espectáculo non apto para tímidos, para os que rexeitan aparecer na prensa. Do contrario, Camilo Gonsar sería Manuel Rivas e Xosé Cid Cabido ocuparía o lugar de Suso de Toro.


Ehus Mahot said...
A literatura nom é que seja um espectáculo nom apto para tímidos. O que é é um negócio, umha indústria, um mercado. E nos negócios, já se sabe que a publicidade é muito importante, porque funciona bastante bem essa regra geral que di: o que nom se conhece nom se vende (...) Tú vas mercar o último disco que sai ao mercado baixo o rótulo de "superventas"? Nom, porque já sabes que é o que vai haver aí, marketing, laboratório e poucas neuronas. Pois entom, porque temos que andar alabando o último intento de best-seller da literatura galega? Um superventas, por regra geral, será um negócio, nom umha obra de arte.

Goretti Fiaño said...
Pois iso de que existan listas de ventas en galego é un bo sintoma. Debe de ser só neste país onde se asocia libros e cultura (...) Os que din que os escritores de libros de consumo son innecesarios teñen poucas miras. Celebro escritores como Camilo Gonsar, De Toro, Rivas, Anibal C. Malvar, Xosé Miranda...capaces de nos facer soñar. A vida é o que importa, a final de contas. A cultura ben pouca cousa é, e quen fai alarde de ela, pobre de espíritu.

Jaureguizar said...
Concordo no esencial cos dous. Ehus Mahot leva a razón toda no de Suso de Toro, pero houbo un Suso de Toro anterior a este que tanto me lembra a un aceptable Stephen King (Trece badaladas), houbo un Suso de Toro que arriscou e que nos deu un cumio literario como Tic Tac (...) Canto ao que di Goretti, eu tamén gustaría de ter bestseleiros, pero o noso campo lector é particular e non dá para iso. En galego le unha minoría culta, porque os lectores ocasionais non che collen un libro no noso idioma, e esa minoría rexeita vazquezfigueroas. Os nosos bestseleriños (dez mil ou quince mil exemplares) son produto das recomendacións en institutos, non de masas entusiastas asaltando El Corte Inglés.

Ehus Mahot said...
A ver: a nós também nos pareceria estupendo que a literatura galega tivera verdadeiros bet-sellers (ou como se diga), escritores/as capazes de vender miles e miles de exemplares da sua última obra, etc... etc... Mas isso nom existe. E nom por um problema exclusivo da literatura galega: é um problema na naçom galega (ou se se quer, para nom entrar em debates "nacionalistas", da sociedade galega). (...)

Goretti Fiaño said...
Si, tamén é verdade.

Jaureguizar said...
Non me expliquei de todo ben. Cando falo de best-sellers refírome a un xeito popular e facer libros: libros sinxelos e de mera evasión, códigosdavincis que se vendan a esgalla e que nos permitan dunha banda gañar lectores, aínda que sexan lectores de baixa cualificación, e por outra que permitan á editoriais gañara pasta para editar literatura de calidade. Un exemplo interesante é a editorial Xixirín, que vén de quitar 'A boa sorte' no noso idioma. Boteille unha ollada, é ben elemental, expresa o que di un refrán vasco: A sorte require que a busquen, pero vendeu millóns de exemplares en todo o planeta. O que dicía eu é que desconfío de que haxa un público popular para esa liña de textos.

Até cá a escolha, feita à treu, e sem más intençons. Só para chamar a atençom sobre o que alí se di.


Outro dia falaremos do tema da normativa.

O filho do acordeonista

Começamos a ler.
Sempre tivemos umha especial predilecçom por Atxaga. Desde aquel Obabakoak, pareceu-nos sempre umha das vozes mais interesantes da literatura.
Nunca entendimos como o seu Um Hombre Solo pudo chegar a ser um éxito de vendas. O tema nom era desde logo fácil. As suas Memorias de umha vaca som, para nós, um exemplo a seguir. As Duas Letters, estiverom durante muito tempo nas nossas conversas e debates.

E agora este filho do acordeonista, que vimos de começar a ler, engancha-nos mais e mais em cada página. Essas frases sobre que a língua dos nossos país é em muitas ocassións umha língua estrana... Decatamo-nos de que já nom conhecemos nem o 30% do vocabulário que a cotio empregavam as nossas avós, os nossos avós.

E nom só porque desaparecera umha parte desse mundo dos velhos: é que cada vez somos mais pobres. Cada vez mais ignorantes. Desconhecemos o que realmente somos, porque no nosso ADN vai desde logo toda a informaçom que nos transmitem as geraçons anteriores, mas já nom somos capazes de procesá-la. Venderom-nos, e compramos, um sistemas incompatíveis com a nossa herdança, com a nossa história, com a nossa vida, com a nossa realidade.

Seguiremos a ler. Realmente, este Atxaga sempre tem qualquer cousa a dizer.

"Mas o pior, pesie a tudo, nom é que haja muitas inexactitudes e mentiras, pois isso quizais seja umha característica de todas as memórias. O pior é que lembrar e pôr no papel o lembrado nom trai alívio algum. Em vez de diminuir, as perguntas multiplicam-se, e a angústia fai-se mais fonda". Bernardo Ataxaga (Memorias de una vaca. Capítulo 9).

(A nossa traduçom nom será tam boa como a de Ramón Nicolás, responsável do galego de "O fillo do acordeonista" editado por Xerais, e recomendado por Jaureguizar, mas intentá-mo-lo).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Distáncias

"Estamos longe de muitas cousas, mas de nada estamos mais longe que de nós próprios". Júlio Cortazar (Nicaragua tan violentamente dulce: aqui la dignidad y la belleza)

"A centos de quilómetros de nós próprios vémo-nos no espelho eterno da palavra debulhando versos estranos sobre a memória da melancolia."

Escrevemo-lo um 29 de Janeiro de 1996. Justo enriba disso, havia umha nota que dizia: "Deixará de chover e alguem sairá à rua para berrar bem forte que já choverá".
O tempo passa tam rápido, tam lento. Onte mesmo era 15 de Janeiro de 1996, estavamos em Compostela, seguro que a estas horas em algum bar, falando, tomando umhas cervejas... E agora, aqui estamos. Deixou de chover, e estamos a aguardar por alguem que venha dizer-nos que já choverá mais adiante.

E agora, que fica? Umhas quantas palavras ditas e repetidas até o aborrecimento; as imagens esquecidas de quando eramos novos; duas ou três esperanças que já sabemos inertes. Segui girando o mundo sem parar, girando, girando e girando, girando sem parar sem parar de girar, e passo a passo fumos esquecendo todo. Umha vez que também nos esquecimos de nós, a nós, cá estamos. Ainda fica por dizer qualquer cousa? E, no caso de que seja assim, para que serviria? Alguem a vai escuitar? Já estamos sós. Dizer outra cousa seria enganar-se.
Nom nos abandones, mas nom nos tenhas lástima.

"Quantas palavras, quantas nomenclaturas para um mesmo desconcerto. Às vezes convenzo-me de que a estupidez se chama triángulo, de que oito por oito é a loucura ou um cam". Julio Cortázar (Rayuela. Capítulo 2).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.15.2005

Qualquer tempo passado foi anterior...

Deixamos umhas palavras onte à tarde para ti. Nom eram nada. Só umhas palavras mas já sabemos que nom as viche.
Pouca cousa diziam, porque pouco temos para dizer e porque nom temos muitas palavras depois tanto tempo.
Pareceu-nos que eram bonitas, ou úteis, ou interesantes, ou curiosas, ou qualquer cousa... Mas nom nos fagas muito caso. Sofremos fortes alucinaçons e desvarios desde que falamos coa lua.
E nada mais. Só chamavamos para dizer que deixamos umhas palavras onte à tarde para ti, e que nom lhes fagas muito caso, porque já nom sabemos o que andamos a dizer.

"É este o defeito das palavras. Assentamos que não há outro meio de nos entendermos e explicarmos, e acabamos por descobrir que ficamos a meio da explicação, e tão longe do entendimento que bem melhor teria sido deixar aos olhos e ao gesto o seu peso de silêncio. Tal vez mesmo o gesto seja de mais. No fim de contas, ele não é outra coisa que o desenho de uma palavra. o caminhar de uma frase no espaço. Restam-nos os olhos e o seu acceso privilegiado às aparições". José Saramago. Deste Mundo e do Outro. (A aparição).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.14.2005

Nós votaremos NOM (pequena obra de teatro num só acto)

PEQUENA OBRA DE TEATRO NUM SÓ ACTO

- Nós votaremos sim no referendo.
- Mas em que referendo?
- No de autodeterminaçom!
- Mas este é o da Constituiçom. O da Constituiçom Europeia.
- Ah!, nom. Nesse votaremos que nom.

O Ramiro no seu Tangaranho Vermelho informa-nos sobre as Jornadas do Foro Social Galego: Galiza contra a Constituiçom Europeia. Foro Social GalegoFaculdade de Arte, Geografia e História de Compostela. Recomendamos vivamente assistir, sobre todo porque nom vam estar nem Butragueño, nem Cruyf, nem Loquillo nem Luis del Colmo a recitar versos da Constituiçom e a pedir o voto (isso sim, eles pedem o voto a cámbio de vaia saber quantos centos ou miles de euros que cobrarom por fazer a campanha).

Já diziam os Def Con Dos aquilo de que nom há nada pior que "acabar como Loquillo, de cantaautor". Agora já nom só cantaautor, também cantante. Devem ser o quarteto calavera.


Só vimos a esses quatro anunciando as marabilhas do texto, mas seguro que há mais. Porque também vimos ao Miguel Rios, aquel rockeiro trovador, nunmha suposta plataforma de artistas, a pedir o sim. E é que isso sim que som artistas! E ao Pedro Duque, um tipo que sempre está nas nuvens gastando o dinheiro do povo, a agradecer-lhe ao Poder essa oportunidade, pedindo também o sim.

Depois de ve-los a eles, convencemo-nos de que devemos pedir o nom!

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Anticultura e canon da máfia

BALADA INCULTA

Nom, ve-se que nom há nivel
nada nos vam dar a cultura nem quem a pariu
Foder! Homes do saber, ide cagar

Nom podedes justificar a vossa inmoralidade
é umha enfermidade que nom podedes curar

E nom nos ides convencer
podede-lo tentar, pero vo-lo fazedes muito mal

Eh! A tua superioridade
prodígio de humildade, tem-me emocionado

Es um asco, que lhe vas fazer
toda a tua cultura nem aranha a minha pel
está podre, é um puto
insulto ao bom gosto
Todo é de cor e muito marrom

No planeta-lixo os limpos
fam seguros os seus negócios graças ao amor e à oraçom
Há nivel ou nom há nivel?
Narana nanana
Narana nanana
Narana nanana
A tua cultura para os pánfilos.

La Polla Records (LP "Ellos dicen mierda, nosotros amén").

O LP é do ano 94 ou 95 do século e do milénio passado. Daquela, ainda nom existiam os cd's. Ou nós ainda nom os compravamos, porque quase ninguem tinha um inventos desses na casa. Compravamos cintas, cassetes, K7's, que lhe diziamos.
K7's como este da Polla, compravamo-los entre cinco, seis e até oito pessoas. Saia muito barato. E logo gravavamo-lo, faziamos cópias, a mogolhom. Algumhas cassetes gravamo-las até vinte e pico vezes, vinte e cinco cópias. Claro que entom ninguem pensava em dizer nada sobre cópias ilegais, que atacam à vida do músico, etc... E mira que muitas das discográficas eram pequenas discográficas independentes, que malviviam como podiam.
Tinhamos um colega que chegou à universidade, e na faculdade de filologia tivo acceso a um cacharro que gravava K7's de quatro em quatro. Aquilo foi todo um descubrimento. Copiavamos absolutamente todo. Que tempos! Com cinco mil pessetas, conseguias toda a música que querias, e ainda tinhas algo mais para ir tomar uns litros ao Berberecho...
Depois chegarom os cd's. Que soavam muito melhor, certo, mas que dificultavam isto da gravaçom. Entom, a gente já passava de cópias em K7, queria o original. Até que chegarom os gravadores de cd, que tempos mais maus! A música, polas nuvens. Com cinco mil pessetas, conseguias dous cd's, dous!, e com sorte. E nom quedava nada, nem para umha cerveja.
Por isso inventarom toda essa mentira contra o pirateu de cd's. Porque era um montom de dinheiro que eles deixavam de ganar. Era destruir o mercado, o sacrosanto mercado, e já sabedes que o mercado é a base da nossa sociedade. O totem. A única verdade inmutável.
Nós preferimos seguir comprando cd's piratas. Aprendimos a liçom. Cada vez é mais difícil consegui-lo, mas nom impossível. Nom se pescam truitas com as bragas enxoitas, di-se. E é certo.
Passa do T. Bautista e a sua máfia. Aponta-te ao pirateo, aponta-te ao boicote. Nom pagues mais de 3 euros por nengum cd.

Agora, do que se trata, é de que tambem haja pirateo de livros, e podas mercar o livro de Atxaga, por exemplo, traduzido ao galego por 3 euros, e nom polos 24 euros que é o preço ao que o vende Xerais. Depois de ler umha crítica de Jaureguizar, onde falava da boa traduçom do Ramom Nicolas, decidimos comprá-lo. Já vos contaremos. Mas se alguem o quer fotocopiar (ainda que nom será mais barato, que no-lo pida).

Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.13.2005

Relógios

"...Logo estam os relógios. Isso já merece um comentário aparte. Os relógios marcam a hora que a eles lhes peta, e nós aceitámo-lo como a única hora boa e verdade. Mas, quem nos obriga? Quem nos asegura que as três som as três e nom as dezaseis ou as vinte e umha? Que felizes iamos ser se nom houvera relógios."

Autocitamo-nos, porque isto é do 3 de Outubro de 1995. Escrevimo-lo um dia depois de estar várias horas (?) sentados no Caldeirom, lá, no final da rua nova de abaixo, chegando a álferes provisional, que nós renomeamos como capitam-de-quando-em-vez. Era na época heroica...


Outro dia falaremos do tema da normativa.

O poeta é um fingidor

Sim. Bem, é certo.

Foi assim que deixamos de escuitar ruidos e perdimos por completo os sentidos.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Identidade

"Na época alexandrina empregou-se o nome de Hermes Trismegistus para respaldar os escritos dum grupo de eruditos. Supunha-se que este autor escrevera 42 livros que eram um compéndio de todos os saberes, e foi muito venerado polos alquimistas, astrólogos e magos medievais."

Nota 1, pg. 107, capítulo decimonono, livro 1º de "Vida y opiniones del Caballero Tristam Shandy", de Laurence Sterne. Ediçom de Fernando Toda. Cátedra. Letras Universales. Traduçom de José Antonio López de Letona. Madrid, 1985.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Desde este beira da linguagem todo parece mais singelo

Recebimos um correio electrónico na nossa conta de correio electrónico (gratuita) (ehusmahotgz@hotmail.com), comentando essa crítica às profisons dos nossos escritores, e perguntando, meio ironicamente, a ver se é que nós somos todos trabalhadores da citroem ou da naval... Que cousas! O certo é que nom gostamos muito de falar de nós, e menos sem vir a conto, mas responderemos, publicamente, ao comentário.

Das pessoas que fazemos parte de Ehus Mahot, duas som carneceiras. Tenhem umha carnezaria, vaia. Som curmáns, o pai de um deles tinha umha carnezaria, e deijou-lha ao seu filho, que se associou com este outro. Um terceiro membro é mineiro, trabalha numha mina. Quere aclarar que se o vedes muitas vezes por aí nom é porque nom trabalhe, mas porque tem umhas turmas de trabalho bastante raras: curra quatro dias e libra dous, curra outros quatro e libra outros dous, e finalmente curra cinco e libra tres e meio. Sua, realmente, o pam que come. Um outro membro nom quer explicitar no que trabalha, porque di que se o di todo o mundo vai saber que é, e nom quer, mas jura e promete, ante notário se fai falta, que nom é funcionário. Um outro trabalha num talher de carros, fazendo um pouco de todo. E por último, o último integrante do chamado Núcleo Duro de Ehus Mahot, núcleo que entre nós também é chamado Comité Central, é peom da construçom. A estes homes e mulheres, há que somar outras pessoas, nom ligadas directamente ao núcleo como tal, mas a algum dos seus componentes, que colaboram e fam parte, esporadicamente, de Ehus Mahot: durante umhas horas, durante uns dias, durante umhas semanas. Vam e venhem, venhem e vam. Estam de passo e passam de tudo.

Aclarado isso, queremos seguir com o nosso, que nom é falar de nós. Nom tem sentido. Para falar de nós já nos vemos nos bares, cafetarias, pubs, tascas, centros sociais, gharitos, etc...

"Huye de lo grandioso si no quieres morir aplastado por un merengue". Vicente Huidobro. Altazur: fragmento de un viaje em Paracaidas.

"Reconhezamos dumha vez por todas que também perdimos a palavra cultura (igual que ao longo dos anos perdimos outros centos de palavras), e deijemos-lha exclussivamente a eles. Procuremos nós, para nós, desde nós, outra palavra com a que identicarmo-nos.
Cultura para eles: só para eles. É já umha palavra podre; fede a quilómetros de distáncia. É evidente que leva anos morta. Para eles cultura, igual que para eles parlamento, orde, seguridade,... Som as suas palavras: quando nom sabem que dizer, botam mao delas; quando nom sabem que respostar a umha pergunta um tanto impertinente, a umha pergunta nom pactuada previamente, pronunciam-nas; quando falam sem dizer nada, porque nom tenhem nada que oferecer, e só pretendem que os escuitemos, a falar sem parar, repete-nas até o esgotamento.
Som palavras vazias, ocas, insignificantes. Conseguirom situá-las ao mesmo nível, ou mais baixo ainda, que as preposiçons. Por tanto, puros nexos entre vazios e nadas.
Procuremos para nós outras cousas. Outra cousa. Outra palavra. Outras palavras. Outra ideia. Mais alá do sol da subvençom e o mar das axudas institucionais. Mais alá do pesebrismo oficial. Mais alá de quanto odiamos e combatimos. Mais alá. Muito mais alá.
Contra a cultura. Para demostrar que ainda temos ganas de incomodar e viver!!!"

Escrevimos isto em 1995. Concretamente, o dia 20 de Julho de 1995. E ainda sigue com nós. Nos nossos cadernos. Na nossa memória. Nos disquetes.
Já o dizia a cançom aquela: "o tempo passa-se, imo-nos fazendo velhos..."


Outro dia falaremos do tema da normativa.

1.12.2005

Já lhe digemos que este era um blog que a vosté nom lhe interesa.

Nós já lho advertimos.
Constava no título (asunto) do correio electrónico que vosté recebeu na sua conta de corrreio electrónico e que nós enviamos desde a nossa conta de correio electrónico.
Pois entom, para quê veu cá. Já o sabia. Agora nom reclame. A decissom foi sua. Suas som as culpas.
Cada pau que terme da sua... da sua... da sua... candeia(?).
Mas, já que chegou até este lugar, espaço ou sítio, daremos-lhe, por cortesia da casa, umha pequena estrofa de Madredeus, do seu tema Milagre:

"Onde está a tua voz? Quero ouvir a tua voz
Onde está a tua voz? Queria ouvir a tua voz"

Lembramos aqueles dias de (mal) estudantes namorados dum amor impossível, onde repetiamos sem cesar essas palavras, e onde punhamos dia tras dia essa música no cd portátil que nos regalaram uns amigos (entre os que estava, era de esperar, o nosso amor impossível).
Sigue a ser o nosso amor impossível (quando menos, o de algum de nós). De quando em vez, falamos com ela, por telefone ou em pessoa. Seguimos a escuitar Madredeus; mas os discos antigos. O último que mercamos deles é um cd de versons electrónicas. Mesmo gostamos.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Cortazar está com nós

Quem nos derá. Se realmente Cortazar estivera com nós, outro galo cantaria. Há um filme argentino, nom lembramos o título, practicamente só lembramos esta cena que vou contar, umha personagem di a outra, que é ou quer escritor: "Vós tenés algo de Cortazar", e a resposta é "Si, un poster en el cuarto". Realmente, o guionista do filme, entendeu Cortazar.
Cada vez que lemoz novamente qualquer dos capítulos de Rayuela, entendemos algo mais da vida. Sabemos que os religiosos fam o mesmo com os livros sagrados, com a bíblia, com o Coram,... Pode que nós sejamos Cortazianos. Nom está mal.
"Yo, melibeo soy, em Melibea creo y a Melibea amo", dizia o protagonista da Celestina.
Pois nós, Cortazianos somos, em Cortazar cremos e a Cortazar amamos.

"¿Porqué escribo esto? No tengo ideas claras, ni siquiera tengo ideas. Hay jirones, impulsos, bloques, y todo busca una forma, entonces entra en juego el ritmo y yo escribo dentro de ese ritmo, escribo por él, movido por él y no por eso que llaman el pensamiento y que hace la prosa, literaria u otra". (Rayuela, 82)

É difícil explicá-lo melhor. Impossível. E isso é no que pensamos, ou no que pensas tu, o no que pensa outra pessoa, "... mientras revuelve el café en la tacita que va de boca en boca por el filo de los dias". (Rayuela, 132).

A melhor inversom que figemos neste Dezembro, que anuncia um Janeiro difícil e pobre, é comprar os três tomos por agora publicados das obras completas de Cortazar. Os próximos dous meses, teremos que voltar aos macarrons do Dia com tomate frito. Os dias de festa, ketchup.

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Liberrima liberdade

Já escuitamos algumhas vozes a dizer, a falar, a comentar... Nom nos importamos por isso. E também nom nos exportamos: nom imos marchar, nem imos mandar a nossa voz, as nossas letras cara outros lares. Nom!
Sabemos que haverá quem pense que nom é liberdade, que é libertinagem. Pois bem, nós dizemos: sim! Liberdade, liberrima liberdade, libertinagem.
Orgulhosos da nossa libertinagem (que nom do nosso liberalismo). Libertinos, libertários e líbidosos. Por suposto. É por isso que estamos sempre dispostos, sempre listos, sempre.
Somos bem conscientes que somos umha minoritária minoria, e que nom estám de moda as cousas das que gostamos. E que?
O que lhe sucede à literatura galega é que o 99'9 por cento dos e das escritoras som funcionários/as. Fixai-vos bem. Repasade a nómina. E os que nom som funcionários, tenhem profisións similares: uns quantos jornalistas, avogados ou qualquer cousa polo estilo. Quantos fontaneiros haverá? E pintores? Trabalhadores/as do metal? Camioneiros? Labregos? Operários da construçom? Desempregados? Trabalhadores em precário?...
É certo que há uns quantos estudantes, umhas quantas estudantes. Mas só aqueles/as que vam para funcionários/as.
Explicou o marxismo há já tempo avondo, que som as condiçons materiais de existência as que determinam as condiçons sociais, ou umha cousa assim penso que era. Pois tal qual.
Temos umha literatura mais bem aborrecida porque os autores e autoras som mais bem todos uns aborrecidos.
E nom só som funcionários os da Xunta ou dos ministérios, nom. Também estam os funcionários do partido, do sindicato, da organizçom de massas ou de algum dos vários satélites que vivem ao redor do partido (chamem-se organizaçons culturais, de defesa, suposta, da língua, juvenis, etc...).
Estamos rodeados, sabemo-lo bem. Mas seguimos a respirar.
Respiramos.
E nom é pouco.
Outro dia, falaremos do tema da normativa.

Ehus

Entendo que quando digo partido, todas e todos sabemos a que organizaçom me refiro, nom? Nom é questom de dar nomes, porque nós nom somos evidencialistas.

DE TORQUEMADA A GONZALEZ

A nomeação de Alberto Gonzalez para o cargo de Procurador-Geral dos EUA acaba de ser aprovada pelo Senado. O referido indivíduo foi o autor, em Agosto de 2002, de um parecer jurídico em que considerou ter o presidente americano poderes para autorizar a tortura, isentar os seus praticantes das respectivas consequências penais e poderem os EUA contornar as Convenções de Genebra. Depois disso a tortura tornou-se endémica entre os militares americanos e a CIA, nos centros de detenção de Guantanamo, Iraque, Afeganistão, Diego Garcia e muitas outras instalações por todo o mundo. Gonzalez pode ser considerado como o arquitecto legal IV Reich.

tirado de www.resistir.info

Outro dia falaremos do tema da normativa.

Autoclismo Total, autoclismo mental

Agora sim, que sim...
Por fim chegamos. Cá estamos. E nom nos vamos. Chegamos para ficar.
O autoclismo, o autoclismo total, nom é umha nova marca, nom é marketing nem merchandaising.
Somos e seremos nós. Começar nunca foi tarefa fácil, mas depois de tantos fracasos, tantos desastres e tantas derrotas, estamos dispostos a novamente perder umha batalha, sabendo que o importante é nom perder a guerra.
Tacticamente pesimistas e estrategicamente optimistas, cá estamos. Dispostos para a derrota. De derrota em derrota até a vitória final!.
Ainda estamos vivos. Avante toda! e benvindos/as à nossa humilde morada.
(Nós nom somos dignos de que entredes na nossa casa, mas umha palavra vossa avondará para salvar-nos).

Outro dia, falaremos do tema da normativa.